Existem inúmeros Processos de Tratamento de Esgoto Sanitário e a escolha do processo ideal baseia-se principalmente no nível de eficiência desejado (consequência da qualidade do efluente final, compatível com a necessidade do corpo receptor), na área disponível para sua implantação, no custo e na complexidade de implantação e operação de cada processo, nas condicionantes ambientais relativas à locação da unidade, na produção e disposição de lodos e na dependência de insumos externos.

O tratamento dos esgotos é usualmente classificado em níveis de eficiência: preliminar, primário, secundário ou terciário. Estes podem ser complementares em uma ETE, facilitando sua execução em etapas de eficiência, caso os recursos financeiros disponíveis para sua construção não sejam suficientes e o enquadramento do corpo receptor permita a utilização de metas intermediárias. Por exemplo: pode-se construir e operar, primeiramente, a ETE com nível de tratamento primário e, depois, de acordo com o planejamento, complementar a construção e operação com o nível secundário ou terciário. É preciso salientar que essa possibilidade deve estar de acordo com a legislação vigente e ser negociada previamente com o órgão de recursos hídricos e órgão ambiental, quando da outorga de uso de recursos hídricos e do licenciamento ambiental do empreendimento.

No vídeo abaixo, veja como funciona o tratamento de esgoto da SABESP.

 

O Tratamento preliminar é responsável pela remoção de sólidos grosseiros e areia presentes no esgoto afluente. Tem como objetivo evitar o acúmulo de sólidos grosseiros e material inerte e abrasivo nas tubulações e demais unidades da ETE. Sempre que possível, recomenda-se mecanizar e automatizar essa etapa, o que alia alta eficiência à continuidade operacional, associadas à proteção à saúde dos trabalhadores. A mecanização dispensa qualquer contato físico do pessoal operacional com o esgoto e os detritos afluentes. A concepção de realizar a operação e limpeza dessas unidades de forma manual aumenta o risco de contato dos empregados com o esgoto, implicando riscos à saúde.

O Tratamento e Desentupimento em Tatuí Primário envolve unidades de tratamento que adotam decantadores primários, processos exclusivamente de ação física que promovem a sedimentação das partículas em suspensão, ou lagoas anaeróbias/reatores anaeróbios, que se utilizam das bactérias que proliferam em ambiente anaeróbio para a decomposição da matéria orgânica presente no esgoto. Vale ressaltar que alguns autores classificam as lagoas anaeróbias ou reatores anaeróbios como tratamento secundário.

O efluente líquido (clarificado, ou seja, após passar por um processo de decantação) do tratamento secundário ainda possui altos níveis de nutrientes como nitrogênio e fósforo. A emissão em excesso destes pode acarretar o fenômeno chamado eutrofização, que proporciona o crescimento excessivo de algas e cianobactérias. Por causa desse crescimento excessivo, a luz do sol não consegue penetrar na água e, consequentemente, a maior parte dessas algas acaba morrendo. A decomposição das algas remove o oxigênio da água, causando a morte biológica do corpo hídrico, incluindo os peixes. O fenômeno ocorre normalmente em ambiente lêntico, isto é, ambiente que se refere à água parada, com movimento lento ou estagnado, como lagos, reservatórios, lagoas, açudes etc.

Quando o tratamento secundário não remove nitrogênio e fósforo nos percentuais exigidos pelo órgão ambiental, utiliza-se o tratamento terciário. A remoção de nitrogênio é normalmente realizada no processo de lodos ativados. Geralmente, a remoção de fósforo é realizada por meio de tratamento químico, utilizando-se sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante.

 

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Considera-se também tratamento terciário aquele que se destina à remoção de organismos patogênicos, a chamada desinfecção. Sistemas de tratamento que envolvem disposição no solo ou lagoas de estabilização, em muitos casos, já têm a capacidade de efetuar redução considerável no número de patogênicos, dispensando, assim, um sistema específico para desinfecção. Nos outros casos, faz-se necessária a previsão de instalações para a desinfecção, que geralmente é efetuada por meio do uso do cloro, ozônio e, mais recentemente, radiação ultravioleta.

 

Após esses esclarecimentos básicos, para o entendimento das diversas etapas de eficiência em Estações de Tratamento de Esgoto, segue apresentação e descrição sucinta de alguns dos principais sistemas de tratamento de esgoto sanitário.

  • Fossas sépticas: são unidades de tratamento primário de esgoto doméstico nas quais são feitas a separação e a transformação da matéria sólida contida no esgoto.
  • Reator anaeróbio de fluxo ascendente: também conhecido por reator anaeróbio de manta de lodo e pelas siglas UASB (do inglês Upflow Anaerobic Sludge Blanket), Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente – RAFA e Reator Anaeróbio de Leito Fixo – RALF. O reator UASB é uma unidade que pode operar sem necessidade de qualquer equipamento móvel ou fonte de energia externa.
  • Lodo ativado convencional: o processo por lodos ativados foi dos primeiros processos de tratamento de esgoto que teve seu desenvolvimento baseado no uso de tecnologia e conhecimento científico. Mundialmente consagrado, apresenta elevada eficiência no tocante à remoção de matéria orgânica e sólidos em suspensão.
  • Lodo ativado aeração prolongada: variante do processo de lodos ativados convencional, normalmente utilizado em unidades de tratamento de pequeno/médio porte, por se tratar de uma versão mais simples e robusta em termos operacionais. Apresenta, em contrapartida, o inconveniente de requerer maior consumo de energia externa, elevando consideravelmente o custo operacional da unidade.